Pela primeira vez no Brasil foram encontrados mosquitos Aedes aegypti infectados
pelo vírus da zika em áreas epidêmicas. A pesquisa da Fiocruz (Fundação
Oswaldo Cruz) aponta o mosquito como principal responsável pela
transmissão de zika para humanos --algo que já se suspeitava, mas não
tinha comprovação.
Os pesquisadores coletaram diferentes
mosquitos em lugares onde foram identificados casos de zika no Estado do
Rio de Janeiro. Analisando os insetos, notaram apenas o Aedes aegypti estava infectado por zika, e tinha capacidade de transmissão. Anteriormente, os cientistas só tinham comprovado a infecção pelo Aedes em testes de laboratório. O estudo será publicado em breve.
Estudos realizados no Brasil tinham apontado outras duas espécies de mosquitos como possíveis vetores: o Aedes albopictus e o Culex,
conhecido pernilongo. No entanto, as experiências não eram conclusivas,
pois é preciso que haja mosquitos dessas espécies infectados em áreas
epidêmicas para que seja possível apontá-los como vetores da doença. Na
pesquisa, eles foram encontrados nas áreas atingidas, mas nenhum deles
estava infectado.
Os cientistas capturaram ao longo de dez meses cerca de 1.500 mosquitos
adultos de diversas espécies, sendo que quase metade deles era de Aedes aegypti.
O vírus da zika foi encontrado em animais de São João de Meriti, na
Baixada Fluminense, e de Realengo, na zona norte do Rio de Janeiro.
Hábitos do mosquito facilitaram epidemia de zika
Para Ricardo Lourenço, chefe do Laboratório de Mosquitos Transmissores
de Hematozoários do Instituto Oswaldo Cruz e líder do estudo, fatores
como o comportamento, a distribuição e a densidade populacional do Aedes nas regiões brasileiras podem ter contribuído para a rápida propagação do zika.
De fevereiro deste ano até o dia 2 de abril foram notificados 91,3 mil
casos prováveis de zika no país. A região Centro-Oeste foi a que teve
maior incidência de casos, 113,4 infecções para cada 100 mil habitantes.
Ele afirma que o percentual de Aedes
infectados com zika que transmitem o vírus é relativamente pequeno. No
entanto, por ter hábitos domésticos, o mosquito tem mais facilidade de
picar o homem e se beneficia com uma grande oferta de possíveis
criadouros dentro das casas, onde pode colocar seus ovos.
A
grande população de mosquitos e a proximidade com humanos disponíveis
para picar e obter o sangue necessário para o processo reprodutivo,
somadas à grande oferta de criadouros onde colocar seus ovos fazem com
que o mosquito viva mais tempo, favorecendo o processo de infecção e
disseminação de doenças como dengue, zika e chikungunya.
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