terça-feira, 14 de fevereiro de 2017

Chikungunya provoca doenças vasculares irreversíveis em pacientes, revela pesquisa


As pernas pesadas, o inchaço nos pés e a dificuldade de andar fizeram a dona de casa Vera Lúcia Amaral Marques, de 45 anos, usar sandálias especiais ortopédicas e muleta um ano após ser diagnosticada com o vírus da febre chikungunya no Recife.
Ela integra o grupo de pacientes que participam de uma pesquisa inédita do Hospital das Clínicas da Universidade Federal de Pernambuco (UFPE), que revela lesões vasculares irreversíveis provocadas pela doença.
"Tanto as minhas pernas como os meus pés ficam horríveis de tão inchados. Sinto câimbras antes de dormir e tenho vergonha de usar short ou vestido curto. Pareço mais velha, não vou mais para academia e até os meus sapatos eu tive que deixar de lado porque já não cabem mais", disse a pernambucana à BBC Brasil.
Dos 32 pacientes analisados com os sintomas, 29 voltaram para serem acompanhados pelos especialistas no estudo. Destes, 20 repetiram o exame e foi constatado que 65% mantinham as alterações vasculares crônicas.
"Manifestações vasculares na chikungunya estavam restritas a fases iniciais da doença. Agora, o estudo mostra não só uma nova manifestação como a cronificação dela, já que os sintomas persistiram por mais de três meses", destaca Catarina Almeida, cirurgiã vascular responsável pelo estudo, que defende o tema em sua tese de mestrado.
Os pacientes apresentaram problemas como linfedema agudo (acúmulo de líquido nas pernas devido ao bloqueio do sistema linfático) e edema no dorso do pé.
As alterações linfáticas foram detectadas pelo exame de linfocintigrafia. Ainda é desconhecido o motivo das lesões vasculares crônicas atingirem apenas os membros inferiores.
"Nosso próximo passo, agora, é fazer uma investigação molecular e entender o motivo disso acontecer. Se é resposta imunológica a infecção exacerbada do paciente ou ação direta do vírus", disse Almeida à reportagem.
Os pesquisadores explicam ainda que a morbidade do paciente aumenta com essas lesões e eles ficam mais suscetíveis a terem infecção nos membros inferiores. "Além disso, o linfedema crônico não tem cura - é irreversível."
O levantamento foi feito de março a novembro de 2016. Assim como a dengue e a zika, a chikungunya também é uma doença viral transmitida pelo mosquito Aedes aegypti.

Ascom/Instituto Zumbi dos Palmares
 
Benom Pinto da Silva, 79, morreu cerca de 15 dias após ser diagnosticado com chikungunya
 
Convivendo com a dor

Um ano e três meses após sentir os primeiros sintomas da febre, o aposentado pernambucano José Severino Pedrosa, de 76 anos, diz que o uso de analgésicos acaba sendo inevitável.
"Aprendi a conviver com a dor, mas tem vezes que eu não aguento e tenho que tomar analgésico. Antes caminhava todos os dias. Agora, se caminho num dia, tenho que descansar dois ou três porque fico todo dolorido. Também não posso com muito peso como antes", conta.
Funcionária de uma escola municipal de Recife, Jaciane Braz, de 57 anos, passou a usar sapatos de número maior por conta do inchaço. Ela conta que ficou com a pele escura e escamosa nos membros inferiores e não aguentar ficar muito tempo em pé.
"Sofri um AVC e logo depois veio a febre chikungunya. Mas só consegui marcar consulta para confirmar a doença sete meses depois porque não tinha vaga no hospital", lamentou.
A grande maioria dos pacientes que participaram da pesquisa são mulheres - segundo médicos, isso acontece porque os homens buscam com menos frequência o sistema de saúde.
Para amenizar o problema, a orientação é o uso de meias de compressão, drenagem linfática e elevação dos membros.



Preocupação

De acordo com o último boletim epidemiológico divulgado pela Secretaria de Vigilância em Saúde do governo federal, em 2016 foram registrados 271.824 mil casos de chikungunya no país - um aumento expressivo se comparado a 2015, que teve 36 mil casos.
Segundo o Ministério da Saúde, houve ocorrência de casos em todo o país, mas com maior incidência no Nordeste (235.136 casos) e no Sudeste (24.478).
No Brasil, a transmissão autóctone (contraída na cidade em que se vive) foi confirmada no segundo semestre de 2014, inicialmente nos Estados do Amapá e da Bahia.



A baiana Dannyelle Campelo, 32, toma diversos remédios devido à chikungunya
O número de mortes passou de 14 em 2015 para 196 em 2016. Os Estados que apresentaram o maior número de vítimas são Pernambuco (54), Paraíba (32), Rio Grande do Norte (25), Ceará (21) e Rio de Janeiro (9). "Surpreendentemente não temos epidemia como era previsto neste verão, mas o aumento de casos e mortes preocupa e, indiscutivelmente, os números são muito maiores do que esses e a tendência é continuar, infelizmente", disse o infectologista Rivaldo Venâncio da Cunha, coordenador de Vigilância em Saúde e Laboratórios de Referência da Fiocruz (Fundação Oswaldo Cruz).
"Em campo, temos visto muitas lesões vasculares em doentes - mas muitos deles já tinham uma certa idade e uma certa insuficiência vascular", acrescentou.
Em nota, o Ministério da Saúde informou que "o governo federal intensificou a atuação contra o mosquito transmissor da febre de Chikungunya, Dengue e Zica com campanhas publicitárias em TV, rádio, internet e outros meios, distribuição de testes rápidos de Zika, campanhas educativas e mutirões de faxina".

Europa

Um levantamento feito pelo Hospital para Doenças Tropicais de Londres mostra, em um mapa, que pouco mais de 100 países já registraram casos reportados em possível transmissão local. Na América Latina, apenas Chile e Uruguai ficaram de fora do índice de ocorrência.
De acordo com Mike Brown, médico especialista em doenças infecciosas e medicina tropical da instituição, tem havido alta incidência global de chikungunya nos últimos dez anos e os vetores ainda têm potencial para propagação em outras regiões.
"Para a maioria dos pacientes é uma doença viral autolimitada (seus sintomas acabam desaparecendo sozinhos), mas para muitos a artralgia pode ser muito prolongada e debilitante. A mortalidade devido a condição é considerada baixa, mas complicações como encefalite, especialmente em indivíduos imunodeprimidos, pode ocorrer (também)", afirmou à BBC Brasil.
O médico diz que organizações como Geosentinel (rede de vigilância global e tropical de medicina) já registraram casos de pacientes com chikungunya importados para a Europa - na França e Itália - e adquiridos localmente no sul do Mediterrâneo.
"Cerca de dois, três anos atrás, alguns hospitais, como o nosso, passaram a ter atendimento clínico dedicado a pacientes com chikungunya com uma equipe formada por reumatologistas e especialistas em medicina tropical para melhor gerenciar e entender casos relacionados de artralgia e artrite", destacou.

Maria Helena Araújo/jornalista/ UOL  Ciência e Saúde

segunda-feira, 23 de janeiro de 2017

O que fazer - e não fazer - quando se está com gripe ou resfriado

Nenhum de nós pode evitar ficar gripado ou resfriado, mas, uma vez que isso acontece, há à nossa disposição uma vasta gama de tratamentos.
Porém, nem todos eles vão ajudar - e o melhor remédio a ser usado vai depender principalmente do que está te afetando: é gripe ou resfriado?
As duas condições têm sintomas parecidos, mas são na verdade bem diferentes. A gripe é causada por mutações do vírus influenza, ao passo que o resfriado pode ser causado por mais de 200 tipos de vírus.
O resfriado vai fazer com que você se sinta "podre", mas seus sintomas aparecem de maneira gradual. A gripe é mais severa e te deixa de cama, normalmente trazendo a tiracolo febre e exaustão e outros sintomas que ocorrem de forma mais rápida.
Abaixo, damos as evidências científicas do que ajuda - e o que não ajuda - no combate a ambos.


Conheça alguns mitos e verdades sobre a gripe

Vale a pena tomar chá para ajudar na cura da gripe?
 PARCIALMENTE VERDADE: embora não existam estudos científicos que comprovem a eficácia de chás no combate à gripe, sabe-se que alguns tipos aliviam os sintomas como chás de hortelã, menta, alho, mel e limão, por exemplo. "A menta tem poder expectorante, o alho e o mel estimulam o sistema imunológico", diz Angela Beatriz Lana. "O chá quente provoca uma vasodilatação local que minimiza a sensação de desconforto, melhora o aporte de oxigênio e nutrientes necessários para o corpo reagir e permite a reposição de células. Além disso, fluidifica as secreções, auxiliando sua eliminação e atenuando a congestão", conclui o clínico geral e coordenador do SalomãoZoppi Diagnósticos, Eduardo Finger.

Alimentação

Especialistas do Common Cold Centre, da Universidade Cardiff, no País de Gales, recomendam comer de forma saudável para manter a energia.
Mas apenas se você sentir fome - e não forçar a ingestão de alimentos.

Resistir ou se render?

Escute seu corpo. Não force a barra e descanse. O quanto vai depender de como você está se sentindo.

Mel e limão?

Chá com limão e mel ou chocolate quente não são formas comprovadas de ajudar no combate a gripes e resfriados.
Mas essas doenças normalmente causam tosses, espirros e maior sudorese, o que leva a uma maior perda de líquido do que o normal.
Por isso, médicos recomendam tomar bastante água e uma ou outra xícara de chá ou café.
Mas não exagere da hidratação, pois o consumo exagerado de água pode ser perigoso.

Paracetamol ou ibuprofeno?

Os dois medicamentos funcionam e podem até ser tomados juntos. Mas é bom prestar atenção nas quantidades ingeridas e não exceder a dose máxima recomendada.
E o ibuprofeno deve ser tomado junto com comida ou de estômago cheio.

Pomada mentolada e óleo de eucalipto

Não há evidência de que funcionem, mas podem oferecer alívio temporário.
Esfregar um pouco no peito ou fazer inalações em uma bacia de água quente ajuda a descongestionar o nariz.

Vitamina C e zinco

A vitamina C tem sido usada desde os anos 1930 no tratamento de infecções respiratórias, mas só se
 popularizou nos anos 1970, quando o químico Linus Pauling, vencedor do Prêmio Nobel, defendeu seu uso para prevenir e aliviar resfriados.
Porém, uma análise de estudos sobre o assunto pela Cochrane Group, uma rede independente global de profissionais da área da saúde, concluiu: seu uso não ajuda muito.
Mas também não provoca danos em casos de consumo em excesso - o organismo elimina na urina o que não consegue usar.
Já o zinco pode ser perigoso se consumido em grandes quantidades.

Antibióticos

Anitibióticos são inúteis para tratar resfriados e gripes, porque essas mazelas têm origem viral.
Esse tipo de remédio só serve para casos de infecções bacterianas.


Conheça alguns mitos e verdades sobre a tosse

Tosse pode ser transmitida de pessoa para pessoa?
 VERDADE: porém, isso só é possível se a tosse for causada por um agente infeccioso, tal como vírus (da gripe), bactérias (pneumonia, laringite, sinusite bacteriana e tuberculose) e fungos (principalmente se o receptor tiver baixa resistência). "Outras condições que causam tosse, como alergias e refluxo (ácido do estômago que retorna ao esôfago e à garganta), não são transmitidas", sustenta o otorrinolaringologista Alexandre E. S. Cercal, membro da Associação Brasileira de Otorrinolaringologia e Cirurgia Cervico-Facial

Maria Helena Araújo/jornalista/fonte UOL Notícias Saúde e Ciência

domingo, 1 de janeiro de 2017

Estação Saúde fecha 2016 com recorde de audiência


 Há treze anos recebemos o incentivo de um amigo querido, para voltar ao rádio, com a proposta de fazendo o que gosto, prestar um serviço a população. A ideia foi pensada, projetada e viabilizada. Os contados necessários foram feitos.
Como deveria ser o formato do Programa; Entrevista, com perguntas diretas, em linguagem simples,acessível  ao público.
O foco do Programa seria a Saúde, abordando semanalmente um tema previamente escolhido, sugerido, tanto pela apresentadora, como pelo especialista convidado.
Diz o ditado popular, " E melhor prevenir que remediar", então! o povo de nossa Região teve dai em diante um espaço para aprender a fazer prevenção. As Unidades Básicas de Saúde, ganharam um novo olhar por parte dos usuários.
A melhor parte de tudo isso seria a desvinculação do Programa Estação Saúde, diga-se de passagem, o nome foi uma sugestão de familiares e amigos, da empresa, ficando assim livre de qualquer interferência política. Seria uma relação entre cliente e empresa.
E agora? Como buscar parceiros que tivessem interesse em divulgar seu nome, como profissional de saúde, numa mídia que seria uma vitrine para os que atuam na área? Funcionou, ao longo dos treze anos que estamos no ar, muitos viram seus nomes serem levados para toda região.
Quantos não prestaram um grande serviço a população, dividindo seus conhecimentos, e tirando a venda dos olhos dos que se sentiam perdidos no mar da falta de informações.
Todos ganhamos com o Estação Saúde. Então vamos continuar aprendendo juntos. Que venham nos Novos Anos.

Maria Helena Araújo - jornalista

segunda-feira, 12 de dezembro de 2016

Escorbuto reaparece na Austrália devido a dietas pouco variadas


Falta de diversidade da dieta tem feito surgir casos de escorbuto (Foto: Thomas Samson / AFP)
O escorbuto, uma doença historicamente associada com os marinheiros do velho mundo que realizavam longas viagens, está reaparecendo na Austrália devido a dietas pouco variadas, segundo autoridades de Saúde.
Causada pela deficiência de vitamina C, a condição costumava ser uma maldição comum - e muitas vezes fatal - entre os navegantes que passavam meses sem consumir frutas e vegetais frescos.
Hoje considerado raro, o escorbuto ressurgiu devido a maus hábitos alimentares, segundo Jenny Gunton, que dirige o Centro de Pesquisa sobre Diabetes, Obesidade e Endocrinologia do Instituto Westmead em Sydney.
Ela descobriu a doença após observar em vários dos seus pacientes feridas que não cicatrizavam.
"Quando perguntei sobre a dieta deles, uma pessoa disse que estava comendo poucas frutas e vegetais frescos, e o resto comia quantidades adequadas de vegetais, mas estavam cozinhando demais os alimentos, o que destrói a vitamina C", disse a pesquisadora.
"Isso mostra que uma pessoa pode ingerir muitas calorias e mesmo assim não receber nutrientes suficientes", acrescentou.
O diagnóstico de escorbuto em 12 pacientes foi feito com base em exames de sangue e sintomas. Todos foram curados com uma simples ingestão de vitamina C.
A falta de vitamina C pode levar a uma formação deficiente do colágeno e de tecidos conjuntivos, causando hematomas, sangramento na gengiva, manchas vermelhas na pele, dor nas articulações e dificuldade de cicatrização.
Entre os alimentos que evitam o aparecimento do escorbuto estão as laranjas, morangos, brócolis, kiwis, pimentões e toranjas, mas o cozimento em excesso pode destruir nutrientes essenciais.

'Não podia acreditar'

Penelope Jackson foi uma das pacientes diagnosticadas com a doença, e disse que ficou perplexa.
"Eu não podia acreditar. Pensei: 'peraí, o escorbuto desapareceu há séculos'", disse ao Sydney Morning Herald.
"É algo que você associa com a Primeira Frota e os dias de Arthur Phillip e do capitão (James) Cook. Você não espera que ele esteja presente no século XXI".
Phillip foi o primeiro governador do estado de Nova Gales do Sul, que navegou com a Primeira Frota de colonizadores da Inglaterra em 1788, enquanto o navegador e explorador Cook é reconhecido por ter sido um dos primeiros a entender a relação entre frutas frescas e escorbuto.
Gunton, que publicou sua pesquisa sobre o ressurgimento da doença na revista internacional "Diabetic Medicine", disse que pacientes obesos ou acima do peso também podem sofrer essa condição.
O artigo relatou que não havia nenhum padrão social na incidência da doença e que os pacientes com dietas pobres pareciam ter origens socioeconômicas muito variadas.
"Esse resultado sugere que, apesar da grande quantidade de recomendações de dieta prontamente disponíveis para a comunidade, ainda há muitas pessoas (...) que não estão recebendo as mensagens", disse Gunton.
"O corpo humano não consegue sintetizar a vitamina C, por isso temos de comer alimentos que a contêm", advertiu a autora.
Hoje em dia, as autoridades de saúde não costumam fazer exames para diagnosticar o escorbuto, e o estudo de Gunton aconselha os médicos a levarem em conta este problema potencial, especialmente nos pacientes com diabetes.
"Principalmente se seus pacientes apresentam úlceras que não cicatrizam, facilidade para ter hematomas ou sangramento de gengivas sem causa evidente", disse.
No vídeo, a nutricionista Lara Natacci comenta sobre o ressurgimento do escorbuto e sobre as diferentes formas de consumir vitamina: alimentação ou suplementação. 

Maria Helena Araújo/jornalista/ fonte G1. com

Mulheres e crianças têm menos acesso à saúde na América Latina, diz Unicef

 
Mulheres e criança em região afetada pelo furacão Matthew em Damassins, Haiti. No país, 69 em cada mil crianças nascidas vivas morrem antes dos anos (Foto: REUTERS/Andres Martinez Casares)
As mulheres e os menores de idade pobres seguem sendo na América Latina e no Caribe os que menos têm acesso aos serviços de saúde, apesar dos avanços regionais, advertiu a Unicef nessa sexta-feira (9).
Segundo informe apresentado no Panamá, as desigualdades no acesso à saúde seguem sendo generalizadas na região, especialmente para as mulheres, grávidas e crianças, mesmo que "muitos países da América Latina e Caribe tenham procurado ampliar os serviços de saúde para as populações pobres e vulneráveis".
Essas desigualdades de acesso à saúde que afetam os grupos mais pobres da região os acompanham "durante toda sua vida", adverte o estudo.
Entre os problemas, a Unicef destaca que muitas crianças pobres não são registradas quando nascem, o que fazem elas não poderem acessar os serviços de saúde.
Outros, devido a suas condições de pobreza, morrem por causa de doenças tratáveis e curáveis como pneumonia, asma, ou diarreias.
No Haiti, 69 em cada 1.000 crianças nascidas vivas morrem antes dos cinco anos, seguido da Guiana (39), Bolívia (38), República Dominicana (31) e Guatemala (29). Os países com os índices de mortalidade mais baixos em menores de cinco anos são Cuba (4), Antígua e Barbuda (8), Chile (8), Uruguai (10) e Costa Rica (10).

Falha em educação para meninas

O informe destaca também a situação das meninas pobres, as quais recebem a pior educação, que se traduz em uma maior probabilidade de ficarem grávidas precocemente.
De acordo com a Unicef, a região "tem a maior concentração de números de gravidez adolescente no mundo".
Além disso, por terem que cuidar das crianças recentemente nascidas, as mães precoces são impedidas de entrar no mercado de trabalho, o que retroalimenta assim o círculo de pobreza.
Durante as últimas duas décadas, a América Latina "tem realizado importantíssimos progressos econômicos e sociais que impactaram positivamente" milhões de pessoas, disse María Cristina Perceval, diretora da Unicef para América Latina e Caribe, com sede no Panamá.
Ainda assim, a região segue sendo afetada "por profundas dívidas de dignidade e justiça, práticas sociais e mecanismos institucionais que reproduzem a violência e perpetuam a pobreza e exclusão", alertou. 

Maria Helena Araújo/ jornalista/ fonte G1. com

terça-feira, 15 de novembro de 2016

Experiências geram mais gratidão que bens materiais, sugere estudo

compraonline615
Você fica mais feliz depois de comprar um celular novo ou quando consegue ir a um restaurante bacana ou para a praia? Um estudo sugere que as pessoas sentem mais gratidão após vivenciar experiências do que depois de comprar algo.
A conclusão é de psicólogos da Universidade de Cornell, nos Estados Unidos, e foi publicada na revista científica Emotion.
A primeira parte da pesquisa contou com 95 pessoas entrevistas pela internet. Do total, 63% relataram gratidão após comprar viagens, passeios ou jantares, enquanto 37% apresentaram a sensação depois de adquirir móveis ou roupas. Em um segundo teste semelhante, com outras 300 pessoas, a tendência se repetiu.
A terceira parte do estudo consistiu na análise de 1.200 comentários publicados em sites de compras on-line. Mais uma vez, a sensação esteve mais presente nas opiniões sobre hotéis e restaurantes do que nas revisões de bens materiais.
Os pesquisadores ainda perceberam que a gratidão após vivenciar experiências afetou o comportamento dos consumidores. Nos testes aplicados, eles demonstraram mais generosidade em relação aos outros depois do investimento. Ou seja: quando você faz uma viagem bacana, quem convive com você também é afetado positivamente.

Maria Helena Araújo/jornalista/fonte UOL Ciência e Saúde

Líderes mundiais abrem conferência do clima à sombra de Trump

Marrakech, Marrocos, 15 Nov 2016 (AFP) - Os chefes de Estado e ministros de mais de 180 países abrem nesta terça-feira em Marrakech a 22ª Conferência da ONU sobre o clima (COP22), à sombra da eleição de Donald Trump à presidência dos Estados Unidos, um cético das mudanças climáticas.

Cerca de 80 líderes mundiais compareceram ao encontro em Marrakech para mostrar seu apoio à luta contra a mudança climática, diante da possibilidade de que os Estados Unidos abandone as negociações, o que acabaria com o frágil consenso.

O secretário-geral da ONU, Ban Ki-moon, quis tranquilizar o mundo pouco antes da abertura da reunião, a primeira desde o histórico Acordo de Paris há um ano, que uniu 196 países.

Ban declarou que estava "otimista" e disse que Trump, que prometeu tirar os Estados Unidos do Acordo de Paris, "entenderá a urgência das mudanças climáticas".

"Eu tenho certeza que ele tomará uma boa decisão, adequada", acrescentou Ban a repórteres.

O secretário-geral da ONU também elogiou o passado empresarial de Trump e disse que espera que o magnata compreenda que a mudança climática tornou-se uma oportunidade de negócio.

Além disso, a ONU apelou os países desenvolvidos a aumentar sua ajuda aos países em desenvolvimento para enfrentar as mudanças climáticas. "O mundo prometeu ajudar os países em desenvolvimento a se adaptar às perturbações causadas pelo aquecimento, como a mudança nas precipitações e a elevação do nível do mar".

"Não temos direito de jogar com a sorte de futuras gerações", pediu Ban.

'Processo que não pode parar'Os Estados Unidos são o segundo maior emissor de gases do efeito estufa no mundo, atrás apenas da China. Sob a administração de Barack Obama, o país também foi um dos principais incentivadores das negociações climáticas que conduziram ao histórico Acordo de Paris, que entra em vigor em 2020.

Os Estados Unidos devem "respeitar os compromissos" adotados, disse o presidente francês, François Hollande. "Não é somente seu dever, é seu interesse", acrescentou.

A COP22 de Marrakech dá o sinal de partida para definir o calendário e as modalidades de aplicação do acordo de Paris nos próximos três anos, principalmente para que os países acompanhem os avanços mutuamente.

As negociações devem ainda começar a definir a forma como será entregue a ajuda financeira prometida aos países do Sul, mais afetados pelo aquecimento global, para transferir-lhes a tecnologia necessária e para, finalmente, decidir sobre os investimentos em mitigação (combate às mudanças climáticas) e adaptação.

No total, 196 países assinaram o Acordo de Paris, 109 o ratificaram.

Se Trump decidir retirar seu país do Acordo de Paris, como prometeu durante a campanha eleitoral, o tratado continuará em vigor, de acordo com especialistas, uma vez que a maioria dos países emissores (incluindo os EUA) já o ratificaram.

Mas tal medida iria prejudicar, sem dúvida, o processo de negociação. Muitos países poderiam ser tentados a deixar a mesa de discussão, ou atrasar a implementação dos seus compromissos, que não são juridicamente vinculativos.

"Nós temos um objetivo claro e vamos seguir em frente. Este processo, que parecia impensável há um tempo atrás, agora não pode parar", declarou a secretária executiva da Convenção sobre a Mudança Climática da ONU, Patricia Espinosa.

A luta contra o aquecimento global, que em 2016 voltará a bater recordes de temperatura, é essencialmente uma questão de vontade dos governos.

"Enfrentar o desafio das mudanças climáticas é a nossa responsabilidade comum e compartilhada", lembrou o representante especial chinês, Xie Zhenhua, cujo governo assegurou que não abandonará o acordo mesmo se Washington mudar de curso.

Crises mais difíceis de controlarO Programa das Nações Unidas para o Meio Ambiente (Pnuma) pediu que os países ricos aumentem suas contribuições.

Os países ricos prometeram em 2009 que a partir de 2020 entregarão até 100 bilhões de dólares anuais para lutar contra as mudanças climáticas nos países pobres.

Os países em desenvolvimento e pobres querem que a maioria desse dinheiro, que até o momento só é uma promessa, seja utilizado para adaptar-se as consequências das mudanças climáticas.

Mas a adaptação somente recebeu uma quinta parte dos fundos mobilizados até agora.

Um grupo de 27 militares e especialistas em segurança do mundo todo também publicou outra carta de alerta nesta terça-feira, dirigida aos mandatários da COP22.

"As mudanças climáticas vão fazer com que muitas das crises complexas globais atuais sejam ainda mais difíceis de resolver", alerta a carta do chamado Grupo de Trabalho sobre Segurança Climática.

A COP22 se encerra na sexta-feira, e o país anfitrião e presidente das negociações, Marrocos, negocia com outros participantes a possibilidade de emitir um apelo solene para continuar a luta.


Maria Helena Araújo/jornalista/fonte UOL Ciência e Saúde

O ano em que você nasceu pode indicar as gripes que vai pegar na vida



O ano do seu nascimento pode prever, até certo ponto, se você vai morrer ou ficar seriamente doente contraindo um surto de gripe de origem animal, isso é o que diz um estudo feito em conjunto por pesquisadores das Universidades do Arizona e da Califórnia (EUA).
O estudo, publicado na revista Science, afirma que a exposição a um vírus Influenza durante a infância dá às pessoas uma proteção parcial para o resto da vida contra vírus diferentes, mas diretamente relacionados. Ou seja, se você pegou uma dessas gripes enquanto ainda era criança, o vírus não o atingirá com tanta força depois de adulto.
Os pesquisadores analisaram dados de todos os casos humanos conhecidos de dois tipos de gripe aviária (mais de 1.400 pessoas no total) e encontraram evidências de imunidade humana anteriormente não reconhecida contra vários vírus que circulam em animais.
Os cientistas também descobriram que as pessoas nascidas antes de 1968 são mais suscetíveis a certos vírus, enquanto as pessoas nascidas durante ou após esse ano estão mais em risco para diferentes tipos de gripe
A pesquisa analisou os vírus influenza H5N1 e H7N9, ambos já provocaram doenças graves e até a morte de humanos.Desde 2013, quando H7N9 foi detectado pela primeira vez, os cientistas ficaram perplexos pelo fato de que os dois vírus tendem a afetar diferentes faixas etárias: crianças e jovens adultos são mais propensos a ser infectados por H5N1, enquanto H7N9 afeta adultos mais velhosA partir dos dados desses dois tipos de Influenza, os pesquisadores descobriram que a primeira gripe contraída na vida deixa uma espécie de "impressão imunológica" que determina contra qual gripe o organismo está mais protegido.Os vírus da gripe se dividem em dois grupos. O grupo 1 é constituído pelos subtipos H1, H2 e H5 aviário, enquanto o grupo 2 contém H3 sazonal e H7 aviário.Os cientistas acreditam que uma pessoa que já foi exposta a um vírus Influenza (de gripe) tem menos chance de ter uma doença grave originária do mesmo grupo viral. A linha divisória para as duas faixas etárias é 1968, ano em que a propagação de um vírus da gripe originado em Hong Kong provocou a morte de quase 1 milhão de pessoas.Pessoas nascidas desde 1968 são mais propensas a ter proteção contra H7N9, que está mais estreitamente relacionado com o vírus de 1968 do que com os vírus da gripe que circulavam antes. As pessoas nascidas antes de 1968 provavelmente terão proteção contra o H5N1.
Ficou difícil entenderPor exemplo, uma pessoa que nasceu em 1968 provavelmente pegou sua primeira gripe por uma infecção de um vírus do grupo 1. Esses indivíduos parecem protegidos contra os vírus que estão no mesmo grupo, incluindo o H5N1.Já quem nasceu depois de 1968 teve o primeiro contato com um vírus do grupo 2, então estaria mais protegido contra o H7N. De acordo com a pesquisa, os mesmos métodos poderiam ser usados para qualquer país com dados suficientes para estimar quais os grupos etários teriam o maior risco de doença grave em uma pandemia.Os cientistas ressaltam que essa descoberta pode ajudar a prevenir uma epidemia de gripe. "Nossos resultados sugerem que deve ser possível prever distribuições etárias de infecção grave em futuras pandemias. Também é possível prever o potencial que novos vírus da gripe de diferentes grupos genéticos têm de causar surtos importantes na população humana", explica Katelyn Gosti, uma das autoras do estudo.

Maria Helena Araújo/jornalista/fonte/ UOL Ciência e Saúde

terça-feira, 25 de outubro de 2016

Quanto mais você mente, mais fácil fica, demonstra estudo

Seja para sonegar impostos ou trair o companheiro, as pequenas mentiras que contamos podem rapidamente se transformar em grandes, assegura um estudo divulgado na segunda-feira que descreve a desonestidade como uma "ladeira escorregadia".

Mentiras em série, além disso, provocam uma redução da resposta emocional no cérebro, relataram pesquisadores na revista científica "Nature Neuroscience".
Na verdade, a ligação bioquímica é tão forte que os cientistas poderiam prever com precisão em experimentos o quão grande é uma mentira que alguém está prestes a contar só de olhar para os exames cerebrais das suas mentiras anteriores.

"Este estudo é a primeira evidência empírica de que o comportamento desonesto aumenta quando é repetido", disse o autor principal do estudo, Neil Garret, pesquisador do Departamento de Psicologia Experimental da Universidade College de Londres.
Compreender como as pessoas passam de contar pequenas mentiras para contar mentiras deslavadas, apesar das normas sociais ou morais que desencorajam a desonestidade, é de grande interesse acadêmico, argumentam os autores.

Bola de neve
Quer se trate de "infidelidade, doping em esportes, inventar dados científicos ou fraude financeira, os enganadores com frequência recordam que pequenos atos de desonestidade cresceram como uma bola de neve ao longo do tempo", observou o coautor Tali Sharot, também da Universidade College London.
"De repente eles se viram cometendo crimes bastante grandes", acrescentou.

Nos experimentos, cerca de 80 voluntários foram convidados a avaliar individualmente fotos de alta resolução de frascos de vidro cheios com diferentes quantidades de moedas de um centavo.
Em seguida, através de um computador, eles foram instruídos a aconselhar um parceiro à distância olhando para uma imagem de baixa resolução do mesmo frasco sobre quanto dinheiro continha.
Esses parceiros eram, na verdade, atores trabalhando para os cientistas, mas os voluntários não sabiam disso.

No primeiro teste, os voluntários receberam um incentivo para serem honestos.
"Eles foram informados de que quanto mais precisa fosse a estimativa do seu parceiro, mais dinheiro ambos receberiam", explicou Garrett em uma coletiva de imprensa.
Isto definiu um ponto de referência para outros cenários em que os voluntários receberam um incentivo para mentir.

Em um experimento, uma mentira deliberada resultou em ganhos tanto para o conselheiro quanto para o aconselhado. Em outro, o voluntário sabia que uma mentira teria bons resultados para ele às custas do parceiro.

A prática leva à perfeição
 
"As pessoas mentem mais quando isso é bom para elas e para a outra pessoa", disse Sharot.
"Quando é bom só para elas, mas fere outra pessoa, elas mentem menos", acrescentou.
Os participantes diferiram extremamente em relação a quanto eles se desviaram da verdade e à taxa em que sua desonestidade aumentou.

E aqueles previamente identificados nos questionários como menos francos também eram mais propensos a mentir durante o experimento.
Mas a maioria dos voluntários não apenas caiu facilmente em um padrão de dissimulação - eles também incrementaram a intensidade das suas mentiras ao longo do tempo.

Vinte e cinco dos participantes foram submetidos a exames de ressonância magnética - varreduras do cérebro - durante os experimentos.
A parte do cérebro que processa as emoções, a amígdala, respondeu fortemente quando as mentiras ocorreram.
Pelo menos foi isso o que aconteceu inicialmente.

Conforme as mentiras ficavam mais ousadas, a amígdala iluminava cada vez menos, um processo que os pesquisadores chamaram de "adaptação emocional".
"A primeira vez que você trapaceia nos seus impostos, por exemplo, você pode se sentir muito mal com isso", disse Sharot. "Esse sentimento ruim inibe a sua desonestidade".

"Mas da próxima vez que você enganar, você já terá se adaptado, e haverá menos reações negativas para te deter", acrescentou.
Ainda não está claro se a atividade reduzida no centro de comando emocional do cérebro ajudou a impulsionar o deslize em direção à desonestidade, ou se era simplesmente um reflexo dela.

Mas uma conclusão do estudo parece inevitável: quanto mais você mente, melhor você fica nisso. "Se a excitação emocional diminui, é possível que as pessoas sejam menos propensas a serem pegas em uma mentira", disse Sharot.

Maria Helena Araújo/jornalista/fonte G1 Ciência e Saúde

Mulheres já bebem quase tanto quanto os homens, diz estudo

As mulheres estão consumindo álcool praticamente na mesma quantidade que os homens - e sentindo os seus efeitos na saúde na mesma intensidade -, de acordo com um estudo conduzido pela Universidade de New South Wales, na Austrália.

A análise se baseou em dados sobre pessoas nascidas entre 1891 e 2001 em todo o mundo, mas provenientes, em sua maioria, da Europa e da América do Norte.

A pesquisa identificou uma mudança substancial nos hábitos desde o início do século 20 até os dias de hoje.
Na geração atual, segundo o estudo, os homens consomem apenas 10% mais álcool do que as mulheres, enquanto no começo dos anos 1900 eles consumiam mais que o dobro (2,2 vezes) do álcool consumido por elas.
Como consequência, os impactos na saúde das mulheres também se assemelha ao que ocorre entre os homens.

Os homens do início do século passado costumavam beber em níveis problemáticos três vezes mais frequentemente que as mulheres. Hoje em dia, essa diferença passou para apenas 1,2 vez.

Além disso, a população masculina costumava ser 3,6 vezes mais suscetível a problemas de saúde decorrentes do consumo de álcool, como cirrose hepática. Agora, os homens são suscetíveis a esses problemas apenas 1,3 vez mais do que as mulheres.

Mudança social

Os pesquisadores consideram que parte da guinada em direção à paridade pode ser explicada pela mudança nos papéis exercidos por homens e mulheres na sociedade.

Segundo o professor Mark Petticrew, da London School of Hygiene and Tropical Medicine, o aumento da disponibilidade da bebida no mercado e a publicidade de álcool voltada para mulheres - especialmente as mais jovens - também são fatores importantes.

"O consumo de álcool e os problemas relacionados a ele eram historicamente vistos como um fenômeno masculino," alerta Petticrew.

Já não são mais, diz o pesquisador. Por isso, o estudo recomenda que os esforços para moderar o consumo de álcool e reduzir os problemas decorrentes desse abuso sejam também direcionados ao público feminino.
"Os profissionais de saúde precisam ajudar as pessoas – tanto homens quanto mulheres – a compreender os riscos do consumo de álcool e saber como reduzir os seus efeitos maléficos", afirma o professor.

 Maria Helena Araújo/jornalista/fonte UOL Notícias e Saúde

Doenças que passam pelo sexo estão mais fortes e podem virar superbactérias


Pegar uma DST (Doença Sexualmente Transmissível) nunca esteve na lista de desejos de ninguém, mas também não costumava causar grandes preocupações. Agora, isso deve mudar.

A clamídia, a gonorreia e a sífilis estão mais fortes do que nunca, em crescente resistência aos antibióticos. A OMS (Organização Mundial da Saúde) até divulgou um alerta sobre isso.

As três são infecções sexualmente transmissíveis causadas por bactérias e geralmente curáveis com antibióticos. Mas a falta de diagnóstico, o mau uso de medicamentos e a prescrição excessiva dos mesmos remédios resultaram na resistência aos efeitos dos antibióticos e reduziram as opções de tratamento.

Para entender o fortalecimento das bactérias, imagine a situação: Você fica doente e centenas de bactérias aparecem no seu organismo. Ao tomar antibiótico você mata as bactérias. Mas algumas vezes, antes do fim dos dias do remédio você já se sente melhor e para de tomá-lo. Ao interromper o uso você pode deixar de matar algumas bactérias. As "teimosas" sobreviventes se tornam resistentes ao antibiótico.

"E não é porque você nunca tomou um antibiótico errado na vida que não precisa se preocupar. Você pode ser infectado de primeira por bactérias mais resistentes que foram selecionadas em outro organismo", afirma Ana Cristina Gales, infectologista e professora da Unifesp (Universidade Federal de São Paulo).

E agora, como enfrentar as DSTs?

A estimativa da OMS é de que, a cada ano, 131 milhões de pessoas são infectadas com clamídia; 78 milhões com gonorreia; e 5,6 milhões com sífilis. 

Das três doenças, a gonorreia foi a que desenvolveu a maior resistência aos medicamentos. Foram identificadas cepas de N. gonorrhoeae multirresistentes que não reagem diante de nenhum dos antibióticos existentes. No caso da sífilis, o ministro da Saúde, Ricardo Barros, admitiu que o Brasil está vivendo uma epidemia.

Para tentar conter o avanço, a solução sugerida no guia da OMS é o uso de antibióticos mais eficazes e reforçar a necessidade do paciente usar na dosagem correta, pelo período correto e no horário determinado.

"Um remédio mais eficaz vai resolver o problema agora. Mas podemos entrar em um ciclo vicioso", explica Gales. Os antibióticos mais comuns deixarão de ser usados já que não matam mais as bactérias. Assim, os medicamentos mais eficazes serão distribuídos em larga escala e daqui alguns anos as bactérias também podem ficar resistentes a eles. E então será preciso outro antibiótico ainda mais eficaz.
Todos os tratamentos com antibióticos em doenças bacterianas favorecem para uma seleção de bactérias mais resistentes. Para acabar com as DSTs não temos que discutir sobre um remédio melhor e sim sobre a prevenção"

Ana Cristina Gales, infectologista e professora da Unifesp
Para a infectologista, o melhor caminho para prevenir e frear infecções sexualmente transmissíveis é lembrar daquele famoso conselho: use camisinha.

 
"Parece que todo mundo já sabe da importância do preservativo, mas precisamos repetir para que todos realmente usem. Em um cenário em que bactérias estão ficando resistentes aos antibióticos a camisinha impede a infecção e pode pôr um fim na transmissão."
 
Outra ajuda no controle da infecção é a criação de uma base de dados para as DSTs.
A professora afirma que antigamente o Ministério da Saúde não recomendava que os médicos fizessem exames mais aprofundados nos pacientes. Caso apresentassem os sintomas da DST, deviam receber o medicamento direto.

"O esquema antigo impediu a criação de um banco de dados para analisar a resistência das bactérias. Porém, o novo protocolo de 2016 recomenda o exame físico e teste laboratorial. Com isso conseguiremos criar um dado nacional para acompanhar de perto a resistência das bactérias", explica. Assim, será possível saber quais bactérias estão circulando no país e quais são resistentes a que remédios.

Maria Helena Araújo/jornalista/fonte UOL Notícias Saúde

quinta-feira, 13 de outubro de 2016

A rara síndrome pós-orgasmo que só afeta homens

Para algumas centenas de homens em todo o mundo a experiência de um orgasmo pode não estar ligada ao prazer.
Isto ocorre por causa da síndrome da doença pós-orgásmica (POIS, na sigla em inglês), um problema raro que afeta exclusivamente os homens.
Os sintomas vão desde cansaço e febre até diarreia e ocorrem como consequência de um orgasmo.
 
A doença foi identificada em 2002 pelo cientista holandês Marcel Waldinger, neuropsiquiatra da Universidade de Utrecht, na Holanda.
E, até o momento, o médico conseguiu encontrar pouco mais de 200 homens que sofrem desta síndrome.
Mas ele acrescenta que a doença pode ser mais comum do que se pensa.
Geralmente muitos homens não falam sobre o problema por conta da vergonha e confusão que os sintomas causam. Outros sequer sabem que têm o problema.

Causas?
 
Desde que o problema foi descoberto os cientistas identificaram várias possibilidades de causas, de uma possível alergia ao próprio sêmen ou em função de um distúrbio neurobiológico.
Alguns pacientes enfrentam o transtorno durante toda a vida adulta, o chamado "POIS Primário" Em outros casos, chamados de "POIS Adquirido", a doença se desenvolve com o passar dos anos.
Isto levou Waldinger a acreditar que o problema poderia ter uma base psicológica.
Em 2016 foi realizado um novo estudo com 45 homens que sofrem da doença e da análise dos resultados surgiram novas teorias para explicar a origem da POIS.

Os pesquisadores adicionaram à lista de causas uma reação autoimune ao plasma seminal. Os cientistas acreditam que esta reação alérgica pode ser tratada com injeções regulares de sêmen diluído.
Este tratamento ainda está em fase experimental e só foi administrado em dois pacientes.
O relatório mais recente de Marcel Waldinger afirma também que a síndrome poderia estar ligada a uma disfunção da glândula pituitária e também à deficiência de testosterona.
Barry Komisaruk, cientista especializado em respostas neuronais a estímulos sexuais e diretor do Programa de Pesquisa Biomédica da Universidade de Rutgers, em Newark, Estados Unidos, também iniciou sua própria pesquisa.
Na teoria desenvolvida por Komisaruk a causa da doença está ligada ao nervo vago ou pneumogástrico, um nervo craniano que envia impulsos para quase todos os órgãos.
Komisaruk afirma que, nos casos de homens que sofrem com a síndrome, este nervo poderia estar atrofiado.
"Muitos dos sintomas que os pacientes apresentam são mediados pelo nervo vago", explicou.

Sintomas
 
Entre os sintomas que Waldinger identificou nos pacientes que sofrem da doença está o cansaço extremo, dificuldades de memória e problemas de concentração.
Cerca de 85% dos pacientes do médico holandês sofrem com isso.
 
Todos os sintomas aparecem depois do orgasmo, alguns segundos, minutos ou poucas horas após a ejaculação.
E, para piorar, a maioria destes sintomas pode durar entre dois e cinco dias.

Tratamento difícil
 
Homens que sofrem com a síndrome da doença pós-orgásmica participam de um fórum para compartilhar suas experiências, o Fórum POIS Center, e falar sobre truques para tentar driblar os sintomas.
Mas as variações de sintomas de um paciente para outro faz com que o desenvolvimento de um tratamento único seja ainda mais difícil.
Pacientes já tentaram tratamentos à base de vitaminas e adesivos de testosterona, além da eliminação de todos os laticínios de suas dietas.
Outros, já em desespero, tomam sedativos e antibióticos.
No entanto a má notícia é que, até o momento, a única medida que realmente parece funcionar é a abstinência sexual.
E, pelo fato de os pesquisadores ainda não saberem qual a causa ou causas exatas do problema, dificulta o desenvolvimento de um remédio eficaz.
Mas, como afirmam muitos usuários do Fórum POIS Center, o importante por enquanto é divulgar mais a doença. Com mais pessoas falando sobre a síndrome e conhecendo a doença, maiores serão as chances de se encontrar uma cura.

Maria Helena Araújo/jornalista/ fonte Bem Estar

Pessoas que melhoram sua dieta reduzem risco de diabetes

Adotar uma dieta saudável  pode diminuir o risco de diabetes tipo 2 ao longo do tempo, enquanto piorar a dieta frequentemente leva a um aumento do risco, segundo um estudo americano publicado em setembro.

"Apesar de recentes recomendações de saúde pública terem focado de forma crescente na melhora geral da qualidade da dieta, as evidências sobre se mudar a dieta na idade adulta tem impacto na prevenção da diabetes em longo prazo são limitadas", disse a principal autora do estudo, Sylvia H. Ley, da Universidade Harvard.

"Conseguimos evidência de que melhorar a qualidade da dieta na idade adulta está associado à prevenção da diabetes tipo 2, enquanto piorar a qualidade da dieta está associado a um risco aumentado de diabetes", acrescentou.

Os pesquisadores analisaram dados de mais de 124 mil adultos que não tinham diabetes no início de três grandes estudos de longo prazo que avaliaram estilo de vida e resultados de saúde. Os voluntários foram observados por ao menos 20 anos e classificaram a qualidade de sua dieta a cada quatro anos.

Houve 9.361 casos de diabetes tipo 2 durante os estudos. Quando a qualidade da dieta diminuiu em mais de 10% entre os levantamentos feitos a cada quatro anos, o risco de diabetes subiu em 34%. Melhorar a qualidade da dieta na mesma proporção levou a uma queda de 16% no risco de desenvolver diabetes.

Para os fins do estudo, uma dieta mais saudável incluiu maior consumo de vegetais, frutas, grãos integrais, nozes e legumes e menor consumo de carne vermelha ou processada, bebidas açucaradas e sucos de fruta, gordura trans e sódio, assim como consumo moderado de álcool.

Maria Helena Araújo/jornalista/fonte Bem Estar

Brincar ajuda a criança a se socializar e a desenvolver habilidades

A pediatra e médica do esporte, Dra. Ana Lúcia de Sá Pinto explica como brincar desenvolve o cérebro e fala também porque a Organização Mundial de Saúde pede que os países aumentem o imposto sobre refrigerantes para diminuir o consumo.
A OMS recomenda que as crianças façam pelo menos 60 minutos de atividade física diária, moderada ou intensa. Brincar é uma atividade completa: ajuda a criança a se socializar e desenvolve habilidades que são muito importantes para a vida adulta.
Quando a criança brinca ela segue regras. Brincar melhora a capacidade cognitiva e a criança apresenta um melhor desempenho na escola. Auxilia no desenvolvimento motor, muscular, ósseo e articular. Oxigena os pulmões e aumenta a força.
E se a brincadeira for ao ar livre: a luz solar regula o metabolismo e o sono. A atividade física para agradar a criança deve ser algo lúdico, deve estimular a brincadeira no esporte para que isso seja prazeroso e não uma obrigação.
Os adultos precisam se envolver nas brincadeiras para estimular a atividade, o correr, o pular, o raciocinar. Mas também precisam sentir prazer, não pode ser obrigação.

Maria Helena Araújo/jornalista/fonte Bem Estar

terça-feira, 11 de outubro de 2016

OMS recomenda aumento de impostos de refrigerantes e bebidas açucaradas


Um aumento nos preços de refrigerantes e outras bebidas açucaradas poderia levar a uma queda importante nas taxas de diabetes, obesidade e problemas dentários. Quem faz a avaliação é a Organização Mundial da Saúde (OMS), que recomenda a criação de novos impostos que possam reduzir de fato o consumo desses produtos.

Em um novo estudo publicado nesta terça-feira (11), a partir de meses de avaliação, a entidade alerta que "políticas fiscais que levem a pelo menos um aumento de 20% nos preços de varejo de bebidas açucaradas poderiam resultar em reduções proporcionais no consumo de tais produtos".

"A redução no consumo dessas bebidas significaria a queda no consumo de açúcar e calorias, melhorando a nutrição e obesidade, diabete e doenças dentárias", declarou a OMS. Entre os açúcares cortados estariam a glucose e frutose.

"O consumo desses açúcares é um fator fundamental no aumento global da obesidade e diabete", indicou o diretor do Departamento de Doenças Não Transmissíveis da OMS, Douglas Bettcher.

'Impostos para salvar vidas'

"Se governos aumentarem impostos sobre esses produtos, estarão salvando vidas", afirmou. De acordo com o especialista, custos do setor da saúde também seriam reduzidos, além de gerar maiores rendas para o Estado.

Dados de 2014 revelam que 39% dos adultos acima de 18 anos estavam acima de seu peso. Entre 1980 e 2014, a taxa de obesidade no mundo mais do que dobrou, com 11% dos homens e 15% das mulheres classificadas como obesos.

Além disso, 42 milhões de crianças com menos de cinco anos estavam acima do peso ou eram classificadas de obesa em 2015. O aumento foi de 11 milhões de crianças vivendo nessas condições em apenas 15 anos. Desse total, 48% delas estavam na Ásia, contra 25% na África, continente que ironicamente também convive com as piores taxas de má nutrição.

A OMS também alertou para a explosão no número de diabéticos. Em 1980, eles somavam 108 milhões de pessoas pelo mundo. Em 2014, o total era de 422 milhões. "A doença foi responsável diretamente pela morte de 1,5 milhão de pessoas apenas em 2012", disse a organização.

Consumo de refrigerante aumenta risco de obesidade

Resistência

No ano passado, a OMS já havia lançado um primeiro alerta sobre o consumo de açúcar, o que gerou uma forte reação do setor privado e de exportadores do produto pelo mundo. No Brasil, entidades de produtores de chegaram a participar das consultas e, diante das constatações, rebateram as propostas da OMS alertando que não é apenas o consumo do açúcar que tem colaborado para essa tendência - mas também a vida sedentária e a ingestão de outros alimentos.

Para os especialistas da OMS, porém, um adulto não precisa consumir açúcar extra em sua dieta. "Em termos de nutrição, as pessoas não precisam consumir açúcar extra", disse Francesco Branca, diretor do Departamento de Nutrição da OMS. "Se esses açúcares forem consumidos, ele não podem passar de 10% do consumo de energia. Um valor ideal seria de 5%", explicou o especialista.

Taxação

Segundo a OMS, países como México e Hungria já iniciaram a taxação desses produtos, enquanto Filipinas, África do Sul e Reino Unido estudam medidas.

Na avaliação da entidade, se governos indicarem à população que o dinheiro arrecadado com os novos impostos irá para a saúde, as medidas podem ganhar apoio popular.

Além disso, a iniciativa poderia ser acompanhada por maiores subsídios aos produtos de frutas e legumes, o que permitiria uma queda de até 30% no preço final desses alimentos para a população.

Maria Helena Araújo/jornalista/fonte UOL Notícia e Saúde

Saúde pode perder até R$ 743 bilhões em 20 anos de PEC do Teto, diz Ipea


Um estudo feito pelo Instituto de Pesquisa Econômica Aplicada (Ipea), órgão vinculado ao Ministério do Planejamento, mostra que o SUS (Sistema Único de Saúde) perderá até R$ 743 bilhões caso a Proposta de Emenda à Constituição (PEC) 241, aprovada nesta segunda-feira, 10, em primeiro turno na Câmara dos Deputados, passe a valer no país.
O texto-base da chamada PEC do Teto prevê que o crescimento das despesas do governo estará limitado à inflação acumulada em 12 meses até junho do ano anterior por um período de 20 anos.

"A PEC 241 impactará negativamente o financiamento e a garantia do direito à saúde no Brasil", afirma a nota técnica datada de setembro deste ano e assinada pelos pesquisadores Fabiola Sulpino Vieira e Rodrigo Pucci de Sá e Benevides.

O estudo aponta que o gasto com saúde no Brasil é de 4 a 7 vezes menor do que o de países que têm sistema universal de saúde, como Reino Unido e França, e inferior ao de países da América do Sul nos quais o direito à saúde não é universal (Argentina e Chile).
Enquanto no Brasil o gasto com saúde em 2013 foi de US$ 591 per capita, no Reino Unido foi de US$ 2.766 e na França, US$ 3.360. Na América do Sul, a Argentina gastou US$ 1.167 e o Chile, US$ 795.

Em uma forte crítica à PEC, os pesquisadores afirmam que congelar o gasto em valores de 2016, por 20 anos, parte do pressuposto "equivocado" de que os recursos públicos para a saúde já estão em níveis adequados para a garantia do acesso aos bens e serviços de saúde, e que a melhoria dos serviços se resolveria a partir de ganhos de eficiência na aplicação dos recursos existentes.

No entanto, a nota técnica afirma que o congelamento não garantirá o mesmo grau de acesso e qualidade dos bens e serviços à população brasileira ao longo desse período, uma vez que a população aumentará e envelhecerá de forma acelerada. Assim, o número de idosos terá dobrado em vinte anos, o que ampliará a demanda e os custos do SUS.

"Mesmo que se melhore a eficiência do SUS, objetivo sempre desejável, existe, do ponto de vista assistencial, déficit na oferta de serviços em diversas regiões do País", diz o estudo.

Os pesquisadores afirmam que o Brasil passa por um rápido processo de mudança na estrutura demográfica. As projeções do IBGE para a estrutura etária indicam que a população brasileira com 60 anos ou mais, que hoje representa cerca de 12,1% do total, representará 21,5% em 2036.

O que diz o governo

O ministro da Saúde, Ricardo Barros, afirmou que sua área, assim como a educação, não perderá investimentos com a PEC.

O presidente Michel Temer também afirmou que as áreas não perderão recursos. "O teto (dos gastos) é de natureza global. O que será estabelecido é um teto geral. Não significa que existe um teto para saúde, para educação, para cultura. Saúde e educação continuarão sendo prestigiadas", falou.

O ministro da Fazenda, Henrique Meirelles, defendeu em pronunciamento à nação a necessidade de controlar os gastos do governo para que o País possa retomar o crescimento econômico, e prometeu não cortar gastos com saúde e educação.

Maria Helena Araújo/jornalista/fonte UOL Notícia e Saúde

Ausência de pais aumenta chances de filho fumar e beber álcool na infância

Crianças que tiveram pais ausentes nos primeiros meses de vida - seja por morte ou separação do casal - correm mais risco de fumar e consumir bebidas alcoólicas antes da adolescência, de acordo com um novo estudo liderado por cientistas do University College London (Reino Unido).

Estudos anteriores já sugeriam que adversidades durante a infância têm impacto negativo na saúde física e mental quando os indivíduos chegam à idade adulta. A ausência dos pais também já havia sido ligada a um risco aumentado de uso de álcool e tabaco na adolescência e na idade adulta.

Ainda não havia sido esclarecido, entretanto, até que ponto a ausência dos pais na primeira infância era um fator de risco para o início ainda mais precoce de comportamentos pouco saudáveis. Não se sabia se os impactos na saúde da criança são diferentes quando a ausência é do pai ou da mãe, ou se variam segundo o sexo da criança, ou com a idade da perda. A "ausência parental" foi definida como a "perda" do pai ou da mãe antes de a criança completar 7 anos.

Os cientistas obtiveram dados de quase 11 mil crianças e constataram que mais de 25% delas haviam sofrido a "perda" de um dos pais até os 7 anos. A análise dos dados mostrou que, entre as crianças que tiveram pais ausentes antes dessa idade, a probabilidade de fumar antes dos 11 anos foi 100% maior, enquanto a probabilidade de beber álcool foi 46% maior.

A maior parte das crianças não teve contato com o fumo até os 11 anos. Entre os que experimentaram, a maioria era de meninos.

Maria Helena Araújo/jornalista/ fonte UOL Infância.

segunda-feira, 10 de outubro de 2016

Unicamp associa obesidade e o diabetes com falta de sono e luz solar


Pesquisa da Faculdade de Ciências Médicas da Unicamp associa poucas horas de sono, noites mal dormidas e baixa exposição ao sol com o risco de doenças como a obesidade e o diabetes tipo 2. O estudo feito com 116 pessoas que visitaram os ambulatórios de obesidade e diabetes fez a seguinte constatação: quem dorme menos de seis horas por noite consome até 22% mais calorias, do que aquelas com mais de seis horas de descanso.
“Nós somos programados para repousar durante a noite e ficar ativos durante o dia. E as pessoas que dormem pouco podem ter uma alteração disso, que nos chamamos de ciclo-sono vigília. E podem ocorrer alterações hormonais”, explica a pesquisadora Liane Murari Rocha, autora do levantamento.

Ainda segundo ela, durante a noite nós liberamos o hormônio da fome, da saciedade e as pessoas que dormem pouco podem ter um desarranjo.
Entre as pessoas que dormem pouco foi comprovado ainda o aumento do consumo de sucos industrializados e refrigerantes. Isso eleva o nível de açúcar no organismo e a chance de a pessoa desenvolver o diabetes tipo 2, doença crônica que afeta a forma como o corpo metaboliza a glicose.
A pesquisadora alerta também que estas possibilidades são ainda maiores se as pessoas tomam pouco sol. Oitenta por cento da vitamina D que nosso corpo precisa vem da exposição solar.
“O ideal é que as pessoas tomem sol com moderação. A vitamina D tem um papel importante na obesidade e no diabetes”, completa a pesquisadora.
O segurança Carlos Roberto Lopes desenvolveu diabetes tipo 2 após anos trabalhando de madrugada e com pouca exposição ao sol.
“Chegava em casa de manhã e não conseguia dormir. Só ia dormir mesmo após o almoço. E assim mesmo aquele sono de uma ou duas horas e já passava.”, afirma o vigilante.

A pesquisadora Liane Murari Rocha durante entrevista à EPTV (Foto: Reprodução EPTV) 
A pesquisadora Liane Murari Rocha durante entrevista à EPTV (Foto: Reprodução EPTV)
Maria Helena Araújo/jornalista/ fonte G1

segunda-feira, 3 de outubro de 2016

Por que algumas pessoas envelhecem menos que outras?


 Cientistas acreditam que encontraram uma explicação para o fato de algumas pessoas parecerem bem mais jovens que outras da mesma idade. A resposta está no DNA --e não na fonte da juventude.

Pesquisa da Universidade de Leiden (Holanda) feita com 3.000 pessoas provou que existem pessoas cujo material genético é menos suscetível aos efeitos do tempo. Os resultados foram publicados no periódico Genome Biology.

Normalmente, o DNA é regulado para ativar certos genes em determinadas fases da vida. Com o passar dos anos, essa regulação se altera gradualmente, o que é uma importante causa do envelhecimento.
Mas, em algumas pessoas, essa regra biológica não funciona exatamente como estava previsto em cada idade.

Alguns idosos estudados, por exemplo, apresentaram o DNA equivalente ao de uma pessoa de 25 anos.

Neles, os cientistas descobriram que os genes do envelhecimento eram bem menos ativos.
A regulação do DNA em cerca de meio milhão de genes foi mapeada para encontrar locais onde a desregulação aumentou com o passar dos anos. Inesperadamente, a pesquisa descobriu que as alterações estavam intimamente ligadas aos genes do envelhecimento.

O próximo passo da pesquisa será descobrir se as pessoas com DNA mais jovem permanecem saudáveis por mais tempo.

"Obviamente, a saúde depende de mais coisas além da regulação do nosso DNA. Mas pensamos que a desregulação é um processo fundamental que poderia diminuir o risco de doenças", afirma Heijmans.

"Em células cancerosas, encontramos mudanças na regulação do DNA nos mesmos locais, como se as diferenças que ocorrem com o envelhecimento fossem precursoras da doença. Queremos, portanto, estudar se um DNA desregulado aumenta o risco de diferentes formas de câncer e, inversamente, um DNA 'jovem' seria protetor", afirma Roderick Slieker, outro cientista ligado ao estudo.

Maria Helena Araújo/jornalista/fonte/UOL Ciência e Saúde

Câncer de mama antes dos 50 anos chega a 40% dos casos, diz estudo


Embora o Ministério da Saúde recomende a realização periódica da mamografia somente a partir dos 50 anos, um novo estudo feito pelo A.C. Camargo Cancer Center traz de volta a polêmica sobre a idade a partir da qual as mulheres devem fazer o exame capaz de detectar o câncer de mama.

Levantamento do hospital com 4.527 pacientes mostra que 40% das mulheres que receberam o diagnóstico da doença entre os anos de 2000 e 2010 no centro médico tinham menos de 50 anos e não descobririam o tumor se tivessem seguido a orientação do ministério. Do total de pacientes acompanhadas, 11,4% descobriram a doença até os 39 anos e outras 28,7%, entre os 40 e os 49 anos. A Sociedade Brasileira de Mastologia recomenda o exame a partir dos 40 anos.

"Não podemos dizer que os dados do A.C. Camargo refletem toda a realidade brasileira, até porque somos um centro de referência em oncologia e isso leva a mais diagnósticos precoces. No entanto, esse estudo mostra que vale a pena investir na mamografia mais cedo. Sabemos que a curva de incidência da doença começa a aumentar a partir dos 40 anos e, quanto mais cedo descoberto o tumor, maior a chance de cura", diz Fabiana Baroni Makdissi, cirurgiã oncologista e diretora de Mastologia do A.C. Camargo.

Os dados do levantamento provam o quanto o diagnóstico precoce é decisivo no sucesso do tratamento. Do total de mulheres que descobriram a doença no estágio 1, 96,1% estavam vivas após cinco anos. No grau 2, eram 89,2%. No estágio 3, o índice foi de 71,6%, número que caiu para 30,3% no estágio 4, o mais avançado.

Sinal. Diagnosticada com câncer de mama aos 37 anos, a supervisora de vendas Patrícia Rosa Moreira, hoje com 40, atribui à sorte a realização da mamografia que a fez descobrir a doença. "Foi por acaso. Eu fui doar sangue e deu uma alteração nas plaquetas. Resolvi fazer um check-up e pedi para a médica uma guia para fazer mamografia. Ela não queria dar de jeito nenhum, disse que eu ainda não estava na idade, mas eu bati o pé e ela deu", conta.

O exame feito em 2014 detectou o tumor no grau 2. A supervisora teve de retirar a mama esquerda, fazer 16 sessões de quimioterapia e 25 de radioterapia. "O câncer já estava com 4 centímetros e eu não tinha nenhum sintoma, ele não era palpável. Nunca descobriria sem um exame. Se eu tivesse feito a mamografia aos 50 anos, ele já estaria espalhado pelo corpo."

O tratamento terminou em dezembro de 2015 e, hoje, Patrícia aguarda pela cirurgia de reconstrução mamária, prevista para dezembro ou janeiro. "Enquanto eu estava no hospital, conheci muitas moças, de menos de 30 anos, com a doença. Acho errado passarem a mamografia só a partir dos 50 anos."

O Ministério da Saúde diz que segue a recomendação da Organização Mundial da Saúde (OMS), de realização da mamografia para fins de rastreamento entre os 50 e 69 anos, porque "essa é a faixa etária com maior efetividade na prevenção e que possui evidência científica de impacto na mortalidade".

A pasta diz ainda que orienta os médicos a solicitarem o exame antes às pacientes que tenham histórico da doença na família, especialmente se uma parente de primeiro grau tenha recebido o diagnóstico antes dos 50 anos. Nesses casos, a recomendação é que as mulheres passem por avaliação médica a partir dos 35 anos para que sejam definidos os exames necessários. Isso porque, no caso de mulheres mais jovens, com estrutura mamária diferente por causa da idade, nem sempre a mamografia é suficiente - podem ser solicitados ultrassom ou ressonância magnética.

Polêmica 

Há quem critique a realização de mais mamografias para fins de rastreamento por causa do risco de resultado falso positivo - quando o exame inicial aponta a presença de uma lesão que não se confirma maligna em exames adicionais.
De acordo com a Sociedade Brasileira de Medicina da Família e Comunidade, a recomendação para realização da mamografia periodicamente não resultou em queda da taxa de mortalidade por câncer de mama. Além disso, diz a entidade, o falso positivo pode causar danos às mulheres, como ansiedade, estresse e procedimentos desnecessários.
A oncologista do A.C. Camargo afirma que os benefícios do rastreamento são maiores do que os malefícios. "Por mais que, em alguns casos, a mamografia aponte a suspeita e ela seja descartada depois, em outros casos, o exame vai possibilitar que a mulher descubra mais cedo e tenha mais chances de cura", afirma Fabiana. 

Maria Helena Araújo/jornalista/fonte/ UOL Ciência e Saúde